Vivemos uma era de revoluções tecnológicas e de inovações disruptivas, ou seja, aquela inovação que não apenas cria algo novo, mas que destrói o velho, o que também se chama de destruição criativa.
Na prática é fácil entender o conceito. O Google acabou com as páginas amarelas. O MP3 acabou com o CD, o pendrive acabou com o CD, a nuvem vai acabar com o pendrive e assim seguimos. A Netflix e o YouTube estão dizimando as locadoras de vídeo tradicionais, nos EUA os livros eletrônicos da Amazon fecharam milhares de livrarias tradicionais e assim a nossa nave segue apressada arrastando empresas e pessoas, incautas ou incultas.
Mas a disrupção não vem apenas da tecnologia, ela pode vir de algo abstrato, como uma ideia, por exemplo. E ela pode vir de muito, muito tempo atrás.
Veja o que Jesus Cristo fez há dois mil anos.
Os princípios que o Cristianismo representou são absolutamente revolucionários, até mesmo hoje em dia. Ainda que a gente saiba que é melhor que a sociedade seja guiada por princípios de tolerância, perdão e amor ao próximo, temos muita dificuldade em seguir essa trilha.
Imagine uma pessoa que prega que se alguém nos agride devemos dar a outra face, que devemos amar nossos inimigos e não devemos nos vingar?
Aliás, é tão difícil seguir esses ensinamentos que a própria terra onde Jesus amassou barro está sempre envolta em conflitos e guerras que em nada parecem seguir os princípios cristãos.
O que seria da Humanidade se até hoje seguíssemos a Lei do Talião que dizia olho por olho, dente por dente? Estaríamos todos cegos e banguelas, como Gandhi disse uma vez.
As ideias são disruptivas quando rompem com o padrão vigente de uma época. Jesus rompeu padrões, foi um rebelde, desafiou o status quo. Ele pregou a luz e foi pregado numa cruz.
Muito antes de Cristo, Sócrates foi condenado à morte por não respeitar as tradições e os deuses gregos da época. Seu pensamento revolucionário desafiava os limites de homens e reis de seu tempo.
E a igreja católica, que de perseguida passou a perseguidora em alguns momentos da história, quase queimou na fogueira o genial Galileu Galilei quando ele disse que a Terra não era o centro do Universo.
Ele e Copérnico estavam certos.
O mundo precisa não apenas de novos aparelhos e tecnologias, mas também de líderes inspiradores, que desafiem as verdades absolutas e mostrem que existe um jeito melhor de fazer as coisas ou de viver em sociedade.
Em 1963, o pastor americano Martin Luther King, em frente a duzentas mil pessoas, fez aquele que talvez seja o mais famoso discurso da história contemporânea:
I have a dream!
Ele tinha um sonho, e esse sonho era uma América mais justa e humana, onde negros e brancos tivessem direitos iguais.
Esses líderes quase sempre pagam um preço muito alto pela ousadia de remarem contra a corrente: acabam envenenados, crucificados, encarcerados ou queimados numa fogueira, mas no final das contas a História reconhece o seu valor, e o mundo se torna melhor. Eles morrem em corpo físico, mas deixam um legado que dura para sempre.
Num mundo em que a gente fica tão hipnotizado com a revolução tecnológica é sempre importante lembrar que grandes ideias podem também desencadear grandes revoluções.
O mundo ainda tem muito a evoluir, mas ao menos vivemos numa época em que brancos e negros são reconhecidos como iguais, o pensamento de Sócrates é a base da filosofia ocidental, sabemos que a Terra não é o centro do Universo e se ainda não conseguimos amar o próximo como a nós mesmos, já estamos um bocado mais tolerantes.